Oposição omite respostas do Presidente da Câmara na Assembleia Municipal e “esquece-se rapidamente” do seu apoio aos Orçamentos de Estado do Governo PSD/CDS.

Relativamente ao comunicado da passada semana do PSD Lousada, lamentamos o teor com que é escrito, numa clara tentativa de omitir, esconder ou até enganar, todos aqueles que não estiveram na sessão pública da Assembleia Municipal e que não puderam ouvir, de viva voz, tudo o que efetivamente foi dito.

Centro de Saúde de Lustosa: A inoperância do Governo PSD/CDS.

Para esclarecimento integral da população Lousadense, no que se refere à mudança das instalações do Centro de Saúde de Lustosa, só por mera brincadeira de mau gosto é que o PSD Lousada poderá tentar, sequer, imputar responsabilidades à Câmara Municipal.

Aliás, é do conhecimento público que foi a CM Lousada que promoveu a celebração de um protocolo de cedência de instalações da antiga escola primária (propriedade do Município) em abril de 2011 com o Ministério da Saúde, de forma a melhorar as condições do pessoal técnico e dos utentes desta extensão de Saúde.

Passaram os quatro anos da legislatura do governo PSD/CDS e a situação do Centro de Saúde de Lustosa, manteve-se inalterada, com um infindável rol de pedidos efetuados pela Câmara Municipal de Lousada solicitando o cumprimento do protocolo e de reuniões junto da ARS Norte e do Ministério.

Aproveitamos também para recordar os Lousadenses, das promessas de resolução deste problema que a comitiva de deputados do PSD Porto fez, acompanhada por elementos do PSD Lousada, em visita ao Centro de Saúde. Promessas com cariz meramente eleitoral, em campanha para as legislativas e que nunca foram cumpridas!

Por outro lado, desde a primeira hora que Junta de Freguesia e Câmara Municipal trabalharam unidas e em prol do mesmo objetivo, revelando a sua total disponibilidade para colaborarem com a ARS Norte na resolução do problema.

É por isso nossa convicção e perante a ação do Presidente da Câmara Municipal de Lousada junto do atual Ministério da Saúde e ARS Norte, que poderá ser possível solucionar este problema nos próximos tempos e resolver de uma vez por todas esta situação.

Centros Escolares: Situações estão a ser corrigidas

Quanto aos Centros Escolares, já foi diversas vezes explicado, quer em sede de reunião de Câmara ou Assembleia Municipal, que as anomalias verificadas e registadas, já começaram a ser resolvidas. Aliás, foi devidamente explicado que as obras encontram-se, obviamente, num período coberto por garantia e que as empresas responsáveis pela empreitada tem a obrigação de resolver quaisquer defeitos que vierem a surgir no período da garantia.



Orçamento de Estado merece notas positivas da Associação Nacional dos Municípios Portugueses

No que se refere à discussão do Orçamento de Estado (OE) na Assembleia Municipal, foi evidente o incómodo dos elementos do PSD Lousada ao terem visto nos telejornais, o Presidente da Câmara numa sessão de esclarecimento realizada no Porto, com o Primeiro-Ministro de Portugal. Algo que seria perfeitamente normal, é motivo de críticas por parte da oposição em Lousada, levando até a generalizações abusivas e nunca verbalizadas por Pedro Machado.

É certo que todos poderão ter as suas divergências quanto à proposta de Orçamento de Estado e o PS Lousada nunca deixará de criticar o que acha que pode lesar os interesses do concelho. Contudo, é também verdade e de acordo com o parecer da Associação Nacional de Municípios Portugueses (que o PSD Lousada deveria conhecer) que existe um aumento do montante global a transferir para as autarquias locais em relação ao ano anterior e que, mesmo sendo insuficiente, é sempre positiva a reposição, em múltiplas situações neste OE, “da autonomia financeira e administrativa que tinha sido retirada nos últimos anos”.

Quanto ao posicionamento crítico sobre determinadas matérias no passado, essas mantém-se. Aliás, se o Presidente da Câmara Municipal de Lousada sempre se opôs ao Fundo de Apoio Municipal e à Lei dos Compromissos, não é pelo facto de ter mudado o Governo que vai alterar a sua posição. Aliás, convém lembrar que o FAM foi objeto de impugnação por parte da CM Lousada e a ação judicial irá continuar nos tribunais. Os eleitos do PS, ao contrário do PSD, nunca tiveram um posicionamento em Lousada e outro totalmente oposto no apoio a medidas do seu partido na Assembleia da República.

Para o PS, Lousada está sempre em primeiro lugar e sempre assim foi, seja qual for o governo. Somos coerentes e isso parece incomodar o PSD.

Ainda assim, tudo isto não seria grave caso as questões sobre o apoio ao Orçamento de Estado, não fossem feitas pelo deputado Simão Ribeiro. Lembramos aos Lousadenses que aquilo que foi respondido na Assembleia Municipal (e aqui fica bem visível a dualidade de critérios do PSD local) foi que durante os últimos 4 anos, o mesmo deputado que agora veio a Lousada insurgir-se contra o atual Orçamento de Estado, foi um dos que aplaudiu vigorosamente e aprovou efetivamente na Assembleia da República sucessivos Orçamentos de Estado que incluíam os maiores aumentos de impostos da história do país e com graves consequências para Lousada e para os Lousadenses – alguns desses Orçamentos, considerados até incompatíveis com a Constituição da República Portuguesa.

Ademais, o PSD necessita de se decidir acerca do que pensa sobre este Orçamento de Estado. Ou é um Orçamento “despesista” e que “dá tudo às pessoas”, ou é um Orçamento austero e que aumenta impostos – as duas situações ao mesmo tempo é que não podem ser. Por outro lado, não podem dizer na Assembleia Municipal que este Orçamento aumenta os impostos quando o líder do seu partido até começa a admitir que “este OE até baixa impostos” – tentando trazer a si os louros desta alteração de paradigma, ou como afirma também a Unidade Técnica de Apoio Orçamental.

O PSD Lousada, principalmente alguns dos seus membros, deveriam ter memória e questionar-se por que razão nunca criticaram, em sede de Assembleia Municipal, qualquer Orçamento de Estado de Passos Coelho que tanto penalizou os Lousadenses.

Por último, registamos a crónica negligência ou esquecimento conveniente que o PSD Lousada faz ao seu companheiro de Coligação - CDS. Em termos nacionais, vemos o CDS a distanciar-se cada vez mais do PSD e isso parece ter repercussões também a nível local. Mais um comunicado sem que o CDS fosse evidenciado, apesar de serem nomeados os eleitos de tal Coligação partidária - porventura sinais de um desconforto crescente e por demais evidente.


Jantar Comemorativo do 25 de Abril – PS/JS Lousada



O Partido Socialista e Juventude Socialista convida V.Exª e família a participar no jantar comemorativo do “25 de Abril”, que se vai realizar no domingo, 24 de Abril, pelas 20 horas, na Quinta da Pousada em Lodares.

 O sucesso dos encontros realizados no passado, que se têm afirmado como local de confraternização e convívio entre militantes e simpatizantes do PS de Lousada, leva-nos a promover, novamente, um jantar comemorativo.

Apelando à participação de todos informamos que as marcações devem ser efectuadas até ao dia 15 de Abril, para os seguintes contactos: (96.5103365 / 91.6018731).

Cada participante deve contribuir com 12,5 cravos para este jantar comemorativo da Revolução de Abril.

Certos da vossa participação.


Saudações Socialistas

Porque votam PSD e CDS contra este Orçamento do Estado?



A verdadeira razão do voto contra do PSD e CDS ao OE 2016 só pode basear-se numa ideia muito simples: este orçamento mostra que existe uma alternativa de orientação das políticas económicas e sociais



A questão para a qual não consigo encontrar resposta, porque efetivamente ainda não foi dada satisfatoriamente, é porque é que PSD e CDS não apenas votam contra este Orçamento de Estado como, no caso do PSD, se abstêm mesmo de apresentar propostas de melhoria na especialidade. A dignificação da democracia, e o futuro de Portugal, necessita tanto das maiorias como das minorias, cada uma desempenhando o seu papel. Infelizmente, não é isso a que assistimos de momento.


Ensaio três possibilidades de resposta ao voto contra a este Orçamento. Primeiro, PSD e CDS consideram que a situação económica e orçamental do país é muito boa, que isso se deve a mérito do anterior governo, e que a tarefa do PS é “não estragar”. Não haveria pois razões de interesse nacional que justificariam, nem sequer uma mera abstenção. Segunda possibilidade, estes partidos consideram que o cenário macroeconómico apresentado pelo PS não é credível e isto deitaria por terra as previsões de receitas e despesas. Terceiro, consideram que é um Orçamento despesista que leva a um maior Estado, e que a carga tributária é excessiva, o contrário do que defendem estes partidos. Qualquer destas razões me pareceriam pertinentes para um voto contra. Mas será mesmo assim?


Antes de abordar cada uma destas possibilidades de resposta, relembremos o que se passou no primeiro orçamento do governo liderado por Passos Coelho na anterior legislatura. Vítor Gaspar apresentou o seu primeiro Orçamento de Estado para 2012, com dois cortes de salários dos funcionários públicos e dois cortes de pensões, indo muito para além daquilo que constava do memorando com a troica. De imediato um pequeno grupo de sete cidadãos (onde modesta, mas orgulhosamente me incluo), escreveu um manifesto em defesa dos serviços públicos, dinamizou um debate público contra esse OE e lançou uma petição que passada uma semana já tinha mais de 7000 subscritores e acabou sendo apresentada na AR.


A posição dominante no PS de António José Seguro foi de se abster, decerto invocando razões de interesse nacional. Isto não impediu que um número significativo de deputados do PS tivesse solicitado a avaliação da conformidade com a Constituição e que o Tribunal Constitucional mais tarde lhes desse razão. Recordo estes episódios, para salientar a diferença de atitude entre o PS, principal partido de oposição da altura (mesmo discordando pessoalmente dela) e a posição do principal partido da oposição hoje, o PSD.


Dir-se-á que na altura estávamos sob o programa de ajustamento com a troica e hoje a situação é muito boa. Infelizmente não corroboramos, nem nós nem a Comissão Europeia, esta visão do país. Portugal estava, e está, em situação muito vulnerável, como aliás o mostra em abundância oRelatório do Procedimento dos Desequilíbrios Macroeconómicos.


Estamos no grupo de países que tem maiores desequilíbrios na União a 28. Portugal tem ainda um crescimento económico modesto, um elevado nível de endividamento das empresas que dificulta o seu financiamento, logo o seu investimento, e que poderá criar problemas nos balanços da banca. O peso da dívida pública no PIB (liquida de depósitos) atingiu em 2015 níveis nunca alcançados, o que nos expõe a uma grande vulnerabilidade dos mercados de capitais. O desemprego é significativo, o mercado de trabalho continua segmentado e os níveis de pobreza e desigualdades continuam elevados, num dos países da União Europeia que mais desigualdades regista.


Torna-se assim claro que a tarefa que o atual governo tem pela frente, é uma tarefa muito exigente e que a situação do país é ainda muito precária. Isto exige um sentido de responsabilidade política de todos os atores quer no contexto nacional, quer europeu. Estamos ainda em situação de fragilidade económica e social pelo que se deve exigir da oposição uma participação responsável no debate democrático, e sobretudo que junto das instituições europeias haja um reforço da credibilidade do país e não que se questione, como aparentemente aconteceu, a determinação do atual executivo em efetivar a consolidação orçamental que o país necessita.


Sobre a credibilidade, ou falta dela, do cenário macroeconómico do governo, sugiro que se compare as previsões para 2016, apresentadas por PSD/CDS no programa de estabilidade (PE) de 2015, com as inscritas no OE2016 pelo governo PS. Os valores do crescimento nominal do PIB são semelhantes (3,4 e 3,8 respetivamente), o peso do Estado na economia, medido pelo rácio da despesa efetiva no PIB é, pasme-se, ligeiramente superior no PE do PSD/CDS (mais 0,2% do PIB) e até na carga tributária, medida pelas receitas fiscais no PIB, o peso dos impostos é maior no Programa de Estabilidade PSD/CDS (25,6% contra 25,2% respetivamente). O leitor poderá fazer todas as comparações quer macroeconómicas, quer de metas orçamentais, entre estes dois documentos e verá que em vários casos as estimativas do anterior governo PSD/CDS eram até mais optimistas do que as do atual governo. Não se trata pois de excessivo optimismo do atual governo, nem de metas irrealistas. Não é também esta a razão do voto contra.


A verdadeira razão do voto contra do PSD e CDS a este Orçamento de Estado, só pode pois estar fundamentada numa ideia muito simples. Este orçamento mostra que existe uma alternativa de orientação das políticas económicas e sociais, mesmo no contexto dos constrangimentos europeus. Na política de rendimentos do trabalho, na política social em direção aos mais desfavorecidos, na política fiscal e na requalificação do Estado. Existem riscos neste como em qualquer orçamento. Vai ser muito exigente executá-lo, o que sugere a necessidade da sua monitorização permanente. As vulnerabilidades do país, assinaladas no início deste artigo, limitam aquilo que é possível fazer este ano no novo caminho que começa a ser delineado neste orçamento. Mas este ano é apenas o primeiro ano das nossas vidas. Estou convencido que vai contribuir para que portugueses e portuguesas acreditem que é possível uma sociedade mais justa, fraterna e inclusiva sem que isso ponha em causa a sustentabilidade das finanças públicas.


in: Observador

Um Orçamento de todos e as incongruências de alguns



Mediante a apresentação do Orçamento de Estado para 2016, reparamos que a direita tende a criticar este orçamento por 2 caminhos indissociáveis. Numa primeira fase, alegavam que iria haver um “brutal aumento de impostos”. Depois de desmentidos pela realidade e pela UTAO, até Passos Coelho (PC) já diz que esta diminuição de impostos só foi possível graças ao “bom desempenho do seu governo” e que “até ele já tinha começado a descer os impostos”.

Pois bem. É a isto que batemos palmas. À descida de impostos corroborada pela UTAO e até por Passos Coelho.

Ora se à esquerda já existe voto favorável garantido, perante tal mudança de discurso no PÁF, não é de admirar se votassem a favor – até porque o atual orçamento foi corrigido diversas vezes para acomodar desvios e erros eleitoralmente não resolvidos por Passos e Portas.

Mas se há coisa que repudio e certamente deve aborrecer a grande maioria dos Portugueses, é conceder, também neste OE, dinheiro dos contribuintes para pagar e corrigir erros dos privados.

Cerca de dezasseis mil milhões de euros já foram dados a BPN, BES e BANIF.

16 mil M€ oferecidos a bancos que, por norma, os seus acionistas tem um ideológico horror a tudo o que é público, exceto quando se trata de pagar os seus danosos atos de gestão.

Na última semana, PC disse que enquanto foi Primeiro-Ministro o BANIF deu sempre lucro. Contudo, há bem pouco tempo, a 22 de dezembro de 2015, o mesmo PC afirmou que “não tinha uma solução muito diferente” daquela que foi encontrada pelo Governo de António Costa e que este foi “diligente” na forma como atuou, assegurando a “estabilidade financeira” e os “depositantes do BANIF”.

Para além da incongruência de discurso no espaço de 2 meses, vamos aos factos: em 2011 o BANIF apresentou prejuízos de 162 M€, em 2012 (-584 M€), 2013 (-470M€) e 2014 (-295M€).

ML Albuquerque, ex-Ministra das Finanças, admitiu que fez “oito tentativas para reestruturar o BANIF”. Mas então se dava lucro, por que ML Albuquerque e a União Europeia queriam reestruturar o banco?

Aliás, este novo posicionamento do PSD revela-se atroz perante tudo aquilo que fizeram no passado, senão vejamos:

Combustíveis: Apesar de compreender a preferência pelo aumento do imposto sobre os produtos petrolíferos (em queda nos mercados internacionais) em vez de cortarmos pensões ou salários, julgo ser exagerado o valor deste aumento num país que tem de incentivar o crescimento económico e a classe média. Contudo, não deixa de ser curioso o PSD criticar este aumento de 6 cent. quando em outubro de 2014 aumentaram, ao abrigo da “fiscalidade verde”, os combustíveis em 8 cent.

TAP: PC disse que pretende explicações do atual governo dada a presença de capital chinês na TAP. É curioso que foi o mesmo ele próprio que convidou esses mesmos Chineses para apresentarem propostas na privatização da TAP! E já agora, foi este mesmo deputado que enquanto Primeiro-Ministro vendeu a EDP à China Three Gorges, ou melhor, ao Estado Chinês dominado pelo Partido Comunista.

Bem prega Frei Tomás…

Juros de Portugal em queda após aprovação do Orçamento



Os juros portugueses estão a recuar em todos os prazos, com os investidores a reagirem positivamente à aprovação do Orçamento e ao anúncio de três leilões de recompra de dívida por parte do país.
Os juros portugueses estão a recuar em todos os prazos, depois de o Orçamento do Estado (OE) para 2016 ter sido aprovado no Parlamento, esta terça-feira, 23 de Fevereiro, e de o IGCP ter adiantado que vai avançar com três leilões de recompra de dívida. As "yields" portuguesas seguem a contrariar a tendência de subida entre os restantes países da periferia.


A taxa de juro da dívida a 10 anos de Portugal segue a cair 3,7 pontos base para 3,368%, com a "yield" a prolongar a queda registada no fecho da última sessão. Esta correcção surge depois de os partidos de esquerda terem votado a favor das medidas propostas pelo Executivo de António Costa no OE, aprovando o documento.


A aprovação do Orçamento melhora a confiança dos investidores e reduz a probabilidade de descidas de "rating" por parte das agências de notação financeira, diz o Barclays, numa nota citada pela Bloomberg.


O ministro das Finanças, Mário Centeno, afastou ainda uma reestruturação da dívida nacional. "Não temos necessariamente a mesma posição" sobre a reestruturação da dívida, disse Mário Centeno dirigindo-se ao deputado do PCP, Paulo Sá, que levantara a questão sobre este assunto. O governo está "aberto" para esse debate, mas "não o suscitará", estando disposto a entrar nesta discussão "quando se colocar em termos europeus".


Recompra de dívida


No mesmo dia em que o OE para 2016 foi aprovado, a Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) adiantou que vai avançar com três leilões de recompra de obrigações do Tesouro (OT). As operações estão agendadas para a próxima quinta-feira, 25 de Fevereiro, com o instituto liderado por Cristina Casalinho a oferecer-se para adquirir os títulos que vencem entre 2017 e 2019. Já o montante disponível para a operação não foi divulgado.


Incluídas na operação estão as linhas de dívida que vencem em Outubro de 2017, Junho de 2018 e Outubro de 2019. Em comum têm o facto de contarem com taxas de cupão superiores a 4% - entre 4,35% e 4,75% -, das mais elevadas que Portugal tem actualmente no mercado.


Periferia agrava juros


Ao contrário de Portugal, Espanha e Itália estão a registar um agravamento dos seus juros. A "yield" exigida pelos investidores para comprar dívida italiana a 10 anos está a aumentar 0,3 pontos base para 1,533%, enquanto o juro a 10 anos de Espanha sobe 0,4 pontos base para 1,638%.

Já as "bunds" alemãs estão a cair. Descem 2,8 pontos base para 0,155%, perante a procura dos investidores por segurança perante a turbulência nos mercados.

Um Salazarista nas Jornadas do PSD


Vale a pena ler a notícia da semana passada do DN sobre a intervenção de César das Neves nas jornadas parlamentares do PSD, em Santarém. Por companhia de leitura, inevitavelmente, a memória do olhar esgaziado com que este senhor normalmente se apresenta em intervenções públicas. Esta não foi exceção. O homem considera-se um génio e pensa que posa como tal. Não passa, porém, de um louco.
Para ele, nunca foi feito o suficiente, no Portugal democrático, para o regresso da escravatura. Ora, isso é não só uma pena como também está na base de todos os nossos problemas. Há pobreza, há desigualdades gritantes, mas isso é porque ainda existem pequenos constrangimentos na lei laboral (a que ele chama rigidez excessiva do mercado laboral) e salário mínimo, ouvi-o uma vez dizer. Acabava-se com essa modernice e era ver o desemprego a diminuir a uma velocidade que deixaria nosso senhor Jesus Cristo incrédulo. O homem é bem capaz de estar louco. Deseja, mas não o confessa, um segundo resgate para Portugal. Só para provar que tem razão.
Com o senhor Pedro Arroja, do Porto Canal, já são dois que, à partida, são levados a sério ao ponto de lhes pagarem para terem voz na comunicação social. Salazar é citado no fim, qual cereja no topo do bolo, mas numa tirada banal, só para dizer que também o ditador de Santa Comba Dão achava que vivíamos acima das nossas possibilidades. Conhece-se esta admiração por Salazar e compreende-se a citação, pois nunca é demais lembrar que dos pobres é o reino dos céus. A referência à estabilidade da moeda é, porém, confusa, ou então o jornalista também foi enlouquecendo.
Este homem, repito, é levado a sério pela comunicação social, apesar de nos obrigar a mudar de canal para não ficarmos como o jornalista.

in: Aspirina B

Os milionários que ganham 2000 euros por mês

A experiência diz-me que terei muito tempo para dizer mal do Governo, do Primeiro-Ministro, do Ministro das Finanças e de muitos outros que se ocupam das funções executivas. A mesma experiência diz-me que já não deve faltar muito, porque os governos começam muito depressa a dizer e a fazer asneiras.
Hoje, vou limitar-me a apontar um dedo preguiçoso a jornais e a jornalistas.
DN faz a chamada para uma entrevista ao Ministro das Finanças usando uma citação: “Quem tem 2000 euros de rendimento tem uma posição privilegiada.”
Não sendo eu um queixinhas, a verdade é que não me sinto propriamente um privilegiado, pelo menos no que toca a rendimentos, que privilégios há muitos.
Quando estava a preparar-me para soltar um impropério, pensei: “Deixa lá ler a parte da entrevista acerca disto dos rendimentos.” E lá me deixei ir ler.
Deixo-vos a citação completa da resposta, porque  uma pessoa lê as gordas e depois está no quentinho e não lhe apetece ir mais além. Aqui fica. Do título ao texto vai um passo gigante: é assim que se arranjam entorses e é assim que se vendem jornais.
Mas como classificaria alguém que tem um rendimento bruto de 2000 euros por mês?
Lá está, uma pessoa que tem um rendimento bruto de 2000 euros por mês está numa posição da distribuição de quem paga impostos em Portugal, altamente privilegiada. Se isto faz dessa pessoa uma pessoa rica ou não… no contexto europeu garanto-lhe que não faz. No contexto português, ela de facto está numa posição cimeira da distribuição de rendimentos. Justifica-se por isso que essa pessoa seja penalizada, do ponto de vista fiscal, pelo menos do ponto de vista relativo? Com muitos limites, porque senão deslaçamos também aquilo que é a coesão social. Este Orçamento tem de ser visto no contexto de uma política que foi estabelecida para quatro anos. É verdade que neste ano a eliminação da sobretaxa tem um carácter progressivo e beneficia mais as pessoas de mais baixos rendimentos, mas a política fiscal que está subjacente ao Orçamento, no ano que vem, e no de 2017, que começará a ser preparado muito rapidamente, terá este outro sentido de alívio destas pessoas que estão na parte mais de cima da distribuição de rendimentos. Chamar-lhes ricas, acho que é exagero de forma.

in: Aventar (António Nabais)

O Melhor Conselho de António Costa


Não vim incomodar a senhora Merkel com o nosso Orçamento. Ela já tem o seu orçamento com que se preocupar

O melhor #ConselhosdoCosta

Será que o nosso sistema mediático é de direita?

Não é vulgar um jornalista declarar publicamente a sua orientação ideológica. Muito menos assumir a sua pertença ou apoio a um partido político. Contudo, as pessoas mais expostas aos media, isto é, aqueles que acompanham, com regularidade as notícias, os debates e comentários nas rádios e nas televisões e, mais recentemente, a participação de jornalistas nas redes sociais, percebem as suas orientações político-ideológicas.
Evidentemente que a expectativa dos cidadãos é a de que os jornalistas sejam capazes de separar a sua ideologia e as suas preferências partidárias do seu trabalho profissional, já que o jornalismo é uma actividade que exige rigor, independência, imparcialidade e equidistância face a correntes ideológicas, partidos políticos e outros poderes, nisso se distinguindo de outros campos profissionais.
Ninguém exige a um jornalista que declare qual é a sua ideologia ou o partido com o qual se identifica, mas também ninguém o proíbe de o fazer. É raro um jornalista declarar publicamente a sua ideologia mas ainda há quem o faça. O  director-adjunto do semanário Expresso, J0ão Vieira Pereira, reconhece que os seus textos falam por si:
“No é surpresa para ninguém. Defendo ideias facilmente identificadas com a direita. A verdade é que me considero um democrata-liberal. Contudo, e como nos últimos anos tivemos em Portugal um dos partidos mais liberais de que há memória, houve imensos aspetos que, mesmo sem me mexer, me atiraram mais para o centro. Só que o centro está outra vez a deslocar-se e a empurrar-me de volta para a direita. Até porque é claro para que lado António Costa está agora a pender. (…) (João Vieira Pereira, Expresso, 6-02-2016)
Um dos exemplos mais transparentes é este texto de Pedro Tadeu, ex-director-adjunto do Diário de Notícias:
“(…) Aqui há uns cinco anos informei os leitores desta coluna: sou militante do PCP. Não foi a primeira vez que o fiz. Todas as administrações, chefias e camaradas de redacção dos jornais e rádios onde trabalhei, desde 1983, foram informados desse facto (…)”. (Pedro Tadeu, DN, 29-12-2015)
Este sábado, o director do semanário Sol, Luís Osório, afirma que em Portugal não existe actualmente nenhum jornal com uma política editorial de esquerda, constatando que esse facto torna os jornais todos iguais, o que, em sua opinião, é prejudicial à democracia. É curioso que sendo o Sol um dos jornais mais próximos da direita portuguesa, o seu director assinale esse facto sem, pelos vistos, ter poder para equilibrar essa orientação.
As opções políticas e ideológicas dos jornalistas são, teoricamente, matéria da sua esfera pessoal. Porém, elas passam a ser uma questão de interesse público quando essas opções influenciam as suas escolhas profissionais, uma vez que ao seleccionarem e destacarem determinados acontecimentos em detrimento de outros, criam realidades usando critérios a que chamam “critérios jornalísticos”.
Por outro lado, os jornalistas não se limitam a reportar acontecimentos. Cada vez mais, dispõem de espaços em diferentes media, nos quais expõem abertamente os seus pontos de vista sendo estes, naturalmente, influenciados pela sua orientação ideológica. Os próprios meios de comunicação social reconhecem implicitamente que há jornalistas “de esquerda” e jornalistas “de direita” quando, nos painéis de “residentes”, procuram equilibrar os dois lados.
Ora, a orientação política e ideológica de um jornal, independentemente do facto de todos se afirmarem como pluralistas, é também determinada pela orientação dos colaboradores não jornalistas que são escolhidos pelas direcções. Dado o peso da opinião no sistema mediático português e o facto de os jornalistas com responsabilidades na hierarquia dos diversos media circularem de uns para outros, somos levados a concluir que Luís Osório tem razão: em Portugal os meios de comunicação social pouco se distinguem uns dos outros e situam-se maioritariamente à direita.
Será então que o nosso sistema mediático é de direita?

in: Tornado

O Voto Obrigatório terá um defensor em Belém?



Com a esperada eleição de Marcelo Rebelo de Sousa para a Presidência da República, aquele que atingiu o estrelato como maior comentador televisivo nacional, terá de lidar daqui para a frente, com as suas declarações públicas durante os últimos anos e cruzá-las com as suas tomadas de decisão no cargo.

Se por um lado Marcelo Rebelo de Sousa baseou toda a sua campanha na popularidade granjeada através da comunicação social, não deixa de ser verdade que a partir de hoje, os arquivos do seu comentário semanal irão ser minuciosamente analisados de forma a verificar a existência de contradições.

Sendo certo que por vezes se confundem os poderes presidenciais com os poderes legislativos, e nesta campanha eleitoral esse erro foi desmesuradamente cometido, também é verdade que os Portugueses esperam que Marcelo seja o oposto de Cavaco, nomeadamente no quadro parlamentar actual e certamente futuro, com muita diversidade política e sem maiorias absolutas de um só partido.

Perante os elevados índices de abstenção, eleição após eleição, urgem medidas que possam combater esta situação. Neste caso, o voto obrigatório reveste-se como uma solução já implementada em diversos países e Marcelo Rebelo de Sousa (2014) defende a sua implementação em Portugal.

Esta não é uma discussão simples e muito menos pacífica.

Existe o receio dos diversos agentes políticos de passar a mensagem de que estarão a obrigar o povo a votar, quando esse mesmo povo poderá estar descrente ou descontente com a política. Pior ainda, há a velha questão de que o voto obrigatório, aplicado em grande parte dos países da América Latina, surgiu para combater a “compra de votos” onde as pessoas só iam votar se determinada candidatura lhes oferecesse algo em troca.

Contudo, tal como defende Freitas do Amaral (2014), poderia ser pertinente fazer uma experiência em Portugal, estabelecendo o voto obrigatório apenas nas eleições legislativas, ou seja, aquelas que mais influenciam o futuro e rumo do país. O ex ministro e candidato à Presidência da República recusa também o putativo carácter antidemocrático da medida uma vez que “se a vacinação, o seguro automóvel (entre outros) são obrigatórios em Portugal por que é que o voto, que define o que vai ser o nosso país, não pode ser obrigatório?”.

O actual Presidente do PS, Carlos César defendeu publicamente esta solução em 2009, referindo que “a democracia será revigorada, transmitindo transparência à vontade do povo português e maior responsabilização à acção dos políticos”.

O voto obrigatório ou compulsório, está presente em várias democracias, umas mais consolidadas e que já passaram por uma fase de voto opcional e outras que mantém esta tipologia desde sempre – Argentina, Austrália, Bélgica, Brasil, Luxemburgo, Singapura, Uruguai, etc.

Ora se o povo Português é obrigado a pagar impostos de forma a contribuir para a gestão da causa pública, também deveria existir a obrigatoriedade de cada Português se apresentar numa mesa de voto para escolher quem gere esses mesmos recursos ou, por outro lado, conseguir passar uma imagem transparente do seu desagrado com os candidatos, votando quiçá em branco. Esta é a questão central!

Todos aqueles que se manifestam contra o voto obrigatório, usam o argumento que esta é uma tentativa da classe política (“descredibilizada”), garantir que as pessoas participam nos actos eleitorais que os elegem. Ora se pensarmos bem, a eleição dos representantes políticos é uma realidade quer exista ou não, abstenção!

Hoje em dia, se há quem traduza a abstenção como um desencanto nos políticos, também existe quem atribua esta taxa às condições climáticas do dia da eleição, à pouca fiabilidade dos cadernos eleitorais ou qualquer outro tipo de razão mais ou menos correcta ou conveniente.

Marcelo Rebelo de Sousa terá certamente a obrigação de lançar este tema para a discussão política nacional, aliada ao facto de poder haver lugar a outro tipo de medidas inscritas, como por exemplo, consequências eleitorais para um determinado número de votos em branco.

A bem da democracia e da representatividade do povo.




Nelson Oliveira

in: Tornado

O dr. Costa deve estar muito preocupado, "deve, deve"... (lol)

nicolau


O grande derrotado da noite eleitoral não foi Maria de Belém, Jerónimo de Sousa, Edgar Silva. Não. A acreditar na maior parte da comunicação social o maior derrotado da noite foi o primeiro-ministro, António Costa. Sim, sim. Nem deve ter dormido ontem à noite.

Para o “Diário de Notícias”, o jornal “i” e o “Jornal de Negócios”, António Costa está entre os grandes derrotados da noite. Para o DN porque “não conseguiu travar a pulverização de candidaturas à esquerda, duas delas com fortes apoios no seu partido”; para o “i” porque “perdeu as regionais na Madeira, as legislativas de outubro e, agora, as presidenciais”; e para o JN porque “a vitória de Marcelo Rebelo de Sousa é o pior de todos os resultados para o líder do PS e atual primeiro-ministro”.

Se os meus ilustres camaradas de profissão o dizem é porque deve ser verdade. Permito-me, contudo, propor que se olhe para o problema de maneira diferente. E para sistematizar, que o façamos em sete pontos.

1) Depois de se confirmar que António Guterres não seria candidato e que António Vitorino também não avançaria, não havia nenhuma personalidade da área socialista que estivesse em condições de bater a notoriedade e a popularidade de Marcelo Rebelo de Sousa. Não gastar armas e energias numa batalha perdida costuma caracterizar os grandes estrategas.

2) Como é óbvio, Costa não dispunha de nenhum poder para impedir a proliferação de candidaturas à esquerda, a não ser que tivesse o ás de trunfo (Guterres). Não o tendo, não só se desinteressou da eleição (sobretudo a partir do momento em que Marcelo Rebelo de Sousa se afirmou como o único candidato do centro-direita), como era inevitável a tal pulverização de candidaturas à esquerda que, lembre-se, é uma constante desde que há eleições presidenciais livres em Portugal. Outra constante é o facto de o vencedor ser sempre encontrado logo à primeira volta – com a exceção muito especial das eleições de 1986.

3) Marcelo passou a campanha a fazer declarações de amor ao Governo PS e a deitar água na fervura em todos os dossiês polémicos, passando sucessivos atestados de responsabilidade ao Governo e afastando qualquer hipótese de, assim que se sentar em Belém, dissolver a Assembleia da República e convocar novas eleições. Além do mais, Marcelo, como mostrou o seu discurso de vitória, pretende ser um Presidente inclusivo, não discutindo uns votos em detrimento de outros e pretendendo sarar as feridas e as clivagens abertas pelos quatro duríssimos anos de austeridade e sustentando mesmo a necessidade do país apostar no crescimento, palavras que seguramente devem ter desagradado mais a Passos Coelho do que ao primeiro-ministro. Por que é que a sua eleição há de ser o pior de todos os resultados possíveis para Costa?

4) Além do mais, Marcelo não era o candidato que Passos Coelho defendia e não lhe ficou a dever nada nesta campanha, pelo que não tem de lhe pagar favores. É um dos presidentes mais livres que, desde 1974, alguma vez esteve em Belém. E quer na campanha eleitoral quer no seu discurso de vitória distanciou-se claramente da política de austeridade seguida por Passos. Um Presidente da República que não aprecia o presidente do maior partido da oposição (e que sabe que este lhe paga na mesma moeda), que não é entusiasta das políticas que ele seguiu e que claramente se orienta pelos princípios sociais-democratas que caracterizaram o PSD até Passos o levar para uma deriva ferozmente neoliberalista, não é seguramente um grande incómodo para António Costa.

5) A estrondosa derrota de Maria de Belém é também uma excelente notícia para o líder do PS e primeiro-ministro. A ex-presidente do partido, vários notáveis que estão contra a atual fórmula de Governo e os seguristas juntaram-se numa candidatura destinada a tentar causar sérios problemas a António Costa, a desgastá-lo e, em última instância, a obrigá-lo a resignar. Saiu-lhes o tiro pela culatra. Maria de Belém começou mal e acabou pior. A sua candidatura nasceu contra o apoio que o secretário-geral do PS tinha dado informalmente a António Sampaio da Nóvoa e não tinha mais nada para a justificar perante os portugueses. Foi por isso perdendo gás e a machadada final foi o caso das subvenções, onde a candidata perdeu definitivamente a sua honra republicana. Com tudo isto, António Costa bem pode continuar a perder eleições, desde que se mantenha como primeiro-ministro, porque durante muito tempo não se ouvirá falar de oposição interna no PS.

6) O excelente resultado de Marisa Matias também não é uma má notícia para Costa. O Bloco de Esquerda tem sido um partido mais responsável e sólido no apoio ao Governo do que o PCP, ao contrário do que se esperava. Este resultado demonstrará a Catarina Martins e aos seus pares que este posicionamento é premiado pelos eleitores, em vez de grandes declarações ditirâmbicas ou atos radicais que acabam por afastar os cidadãos que veem com muita simpatia este “novo” BE – pelo que se pode esperar que os bloquistas continuarão a ser um apoio sólido do Governo nos momentos parlamentares decisivos. Mas há mais. É que apesar do excelente resultado, ele repete, na prática, o que o Bloco obteve nas últimas legislativas. Ou seja, o Bloco não cresceu – e isso é, para já, uma preocupação a menos para Costa.

7) Finalmente, a última boa notícia para Costa da noite eleitoral é a derrota quase humilhante de Edgar Silva, uma aposta do líder comunista, Jerónimo de Sousa. O PCP podia facilmente ter apoiado Sampaio da Nóvoa. Preferiu ir por outro caminho. Jogou e perdeu muito. É claro que há sempre o risco do desespero e de o PCP querer vir a ganhar nas ruas a influência que está a perder nas urnas. Mas quem sair agora do barco que Costa colocou a navegar dificilmente não será penalizado em eleições antecipadas – pelo que o PCP pensará muito maduramente antes de rasgar o acordo que assinou com o PS.

Digamos, portanto, que as notícias de que Costa foi um dos grandes perdedores da noite me parecem manifestamente exageradas. Só o futuro, contudo, dirá quem tem razão. Marcelo é imprevisível mas não é de grandes confrontos e abruptas clivagens. Tanto ele como Costa são duas velhas raposas da política portuguesa, que se conhecem bem, o que lhes permite antecipar com alguma razoabilidade o que cada um vai fazer a seguir.


Uma coisa é certa: a partir de agora, o Governo PS não terá em Belém um presidente ressabiado e pronto a fazer tudo para lhe dificultar a vida. E isso muda quase tudo nas relações entre o Palácio de Belém pintado verdadeiramente de laranja e São Bento engalanado nos tons de rosa originais.

PS – Uma última nota para Sampaio da Nóvoa. Fez uma campanha sempre a crescer, com intervenções políticas cada vez melhores e mais consistentes. Foi o único que tirou Marcelo do sério e o obrigou a explicar-se politicamente, tendo ganho claramente esse debate ao novo Presidente da República. E o discurso de derrota que proferiu, sem ressabiamentos e reconhecendo Marcelo como presidente de todos os portugueses, fez dele claramente o vencido mais vencedor da noite. 




(Nicolau Santos, in Expresso Diário, 25/01/2016)

JS Lousada elege maior representação de sempre



No XIV Congresso da Federação Distrital da JS Porto, a Juventude Socialista de Lousada dado o crescimento constante de militantes na estrutura Lousadense, conseguiu integrar nos órgãos distritais a sua maior representação de sempre.

Juntamente com o Presidente da JS Lousada - Rui Pereira, os membros Eduarda Ferreira, Nuno Fernandes, Ana Regadas, David Cunha e Luís Cunha, integraram a lista à Comissão Política Federativa eleita no congresso realizado em Vila Nova de Gaia no passado sábado.

Eduarda Ferreira integra também os representantes da JS à Comissão Política da Federação do PS Porto.



A JS Lousada aproveita a oportunidade para endereçar a todos os jovens Lousadenses um excelente Natal e um extraordinário ano de 2016.

Agradecimento Natalício – JS Lousada



A Juventude Socialista de Lousada depois de repetidamente observar a admiração e o amor incessante da Coligação Lousada Viva à pessoa do Prof. José Santalha, vem por este meio declarar contentamento em virtude da paixão demonstrada por PSD/CDS ao Presidente do PS Lousada.

Ao longo dos anos tem sido notória a admiração, importância e relevo que lhe atribuem, quer a nível político ou até ultimamente, associativo, desenvolvendo quase uma obsessão perante tal pessoa.

Ao contrário da atitude negativista e crítica da Coligação e dos seus pares, é nosso dever, nesta época natalícia, lançar uma mensagem de paz e harmonia perante tamanha admiração pessoal, num espírito positivo e de profunda amizade política.

Enquanto a crítica pessoal é o modo de estar na vida de algumas pessoas ao invés de se constituírem como uma oposição credível e de ideias válidas, estamos certos que o executivo de Pedro Machado continuará a trabalhar em prol de Lousada e dos Lousadenses, não pactuando nem alimentando guerrilhas pessoais e seguindo o caminho de melhorar, dia após dia, o nosso concelho.

Bom natal e um excelente ano de 2016!



Rui Pereira



Presidente da JS Lousada

A Saída Limpa escondia o BANIF… e outros.


Nelson Oliveira


O caso BANIF veio-nos demonstrar o último ato de uma saída limpa, repleta de “esqueletos no armário” e de lixo varrido para “debaixo do tapete”. Só desta forma, Passos e Portas, conseguiriam uma campanha eleitoral com uma bandeira de alegada credibilidade financeira, escondendo a postura negligente de empurrar os problemas para a próxima legislatura.
Enquanto o povo esgrimia argumentos, durante os últimos anos, sobre os reais culpados da crise económica e financeira que assolou Portugal e o mundo, a banca continuava a desenvolver comportamentos criminosos, imputando depois os custos das suas aventuras aos contribuintes Portugueses.
Num país onde grande parte das pessoas atribui responsabilidades aos beneficiários de prestações sociais, aqueles cidadãos no limiar da pobreza que ganham uma “fortuna” mensal (cerca de 180€/mês – RSI), ninguém acha estranho que continuemos a alimentar um setor capitalista e elitista, impulsionador de grandes desigualdades, onde os lucros são divididos por “meia dúzia de pessoas” e os prejuízos são imputados ao erário público.
Contudo, a grande questão levanta-se quando nos questionamos sobre a solução para estes casos. Neste momento, não “salvar” um banco, mesmo com o menor impacto possível para os cidadãos, implicaria o caos. Milhares de pessoas despedidas, depositantes que ganharam o seu dinheiro de forma séria e à custa do seu trabalho seriam privados de grande parte do seu “pé-de-meia”, o efeito de contágio propagar-se-ia a outros bancos e o desespero das pessoas teria consequências trágicas. Como é percetível, a máquina financeira está de tal forma bem montada que não salvar um banco, poderia ser pior para a economia de um país.
Daí que as regras da União Europeia a partir de 1 de Janeiro possam servir de alguma coisa no sentido de responsabilizar os gestores da alta finança e estabilizar, segundo a lei, os procedimentos a serem tomados em casos extremos como BPN, BES e BANIF.
Um país pobre como o nosso, não pode continuar a discutir aumentos de pensões e salários mínimos como se de um ultraje se tratasse, enquanto alegremente injetamos milhares de milhões num sistema financeiro que apenas castiga os contribuintes e ninguém é responsabilizado.
Entre o deve e o haver neste tipo de situações, é importante que um Governo de Esquerda diga: Basta! Mas também é importante que os defensores do liberalismo financeiro sejam responsabilizados pelas contínuas tropelias, saindo de cena como nada se tivesse passado.
Não é possível nem sadio para a nossa sociedade, continuarmos a debater-nos com enormíssimas resistências quando um governo tenta dar aumentos de pouquíssimos euros a um pensionista ou reformado, mas ao mesmo tempo, esses mesmos críticos, são os primeiros a solicitar uma rápida intervenção estatal num buraco financeiro de milhões de euros.
Infelizmente, mais surpresas negativas surgirão!
E no meio de tudo isto, ainda há quem continue a defender a velha máxima que os privados são melhores gestores… por acaso tem-se notado!

in Verdadeiro Olhar

Ecos do ministério da propaganda

AC PPC


Os ideólogos do velho regime estão a tentar, uma vez mais, vender-nos o fim do acordo à esquerda, procurando criar artificialmente a instabilidade que o sistema financeiro não lhes fez ainda o favor de criar. Os blogues afectos ao “Tea Party” nacional, onde se inclui o blogue travestido de jornal que congrega parte significativa da fina flor que inspirou o ministério de propaganda pafista, querem que acreditemos que a votação do orçamento rectificativo representa o início do fim do acordo entre PS, BE, PCP e PEV. Como se o PSD não estivesse forçado a no mínimo abster-se da solução apresentada para a borrada que fez no governo, e com a qual o seu líder afirmou concordar. Como se os partidos à esquerda do PS fossem telecomandados como os deputados do PSD e do CDS-PP o foram durante a vigência do anterior governo. Como se esses mesmos partidos de esquerda, cientes do sentido de voto do PSD, não soubessem de antemão que poderiam juntar o melhor de dois mundos e agradar ao seu eleitorado ao passo que nada de grave se passava com o seu parceiro governamental.
Sobre o sucedido, atentem nas palavras de André Azevedo Alves, em artigo publicado no blogue-jornal oficial da direita:
Bastou o colapso do Banif para todas as garantias de durabilidade e estabilidade da coligação de esquerda colapsarem com ele. Afinal, o Presidente da República tinha mesmo boas razões para ter dúvidas sobre o grau de entendimento e compromisso entre PS, PCP e BE relativamente à “aprovação dos Orçamentos do Estado” e à “estabilidade do sistema financeiro”.
Eis a propaganda de guerrilha em todo o seu esplendor. O voto contra de BE, PCP e PEV no orçamento rectificativo significa, para o autor, o colapso de todas as garantias de durabilidade e estabilidade do acordo de esquerda. Todas. Não escapa uma. É o fim, a tragédia, o horror, a catástrofe, o dilúvio e o meteorito que destrói parte significativa da vida no planeta. É a profecia da desgraça com o alto patrocínio de elementos-chave na eleição de Cavaco Silva a presidente da República ou de Pedro Passos Coelho a chefe do governo. “Nomes ligados ao PSD lançam jornal digital” podia ler-se no Jornal de Negócios, por altura do lançamento do Observador. A Fox News do PàF como alguém lhe chamou um dia. O ministério da propaganda do velho regime. Velho, velho dos tempos da União Nacional.



in: Aventar

Quem conserta o que Marco António Costa estragou?

MAC


Durante a sua intervenção num recente evento do PSD, Marco António Costa deixou um apelo ao novo governo, para que este “não estrague aquilo que foi feito pelo Governo que o antecedeu“. Desconheço aquilo a que se refere este barão da São Caetano à Lapa, principalmente numa fase em que vários embustes da coligação que governou o país até há uns dias vêm sendo revelados. Conheço, porém, um militante do partido visado que, ironicamente, está há dois anos a tentar consertar a bancarrota que herdou precisamente de Marco António Costa e companhia na CM de Gaia, fazendo desta, a par da CM de Lisboa, a autarquia mais endividada do país. O estrago é tal que a autarquia, actualmente liderada pelo socialista Eduardo Vítor Rodrigues, se vê agora forçada a contrair novos empréstimos para fazer face aos estragos causados pela governação PSD, apesar de ter conseguido uma redução de dívida, a julgar pelos números do JN, na casa dos 108 milhões de euros. Estará o PSD assim tão estragado que não consiga arranjar um porta-voz menos ruinoso?

in: Aventar

Carta de António Costa a Cavaco Silva

Exmo. Sr. Presidente da República,Ricardo Araújo Pereira
Após a leitura atenta das seis condições que colocou para a mRicardo Araújo Pereirainha indigitação como primeiro-ministro, posso garantir-lhe o seguinte:
a) Quanto à aprovação das moções de confiança, pode ficar descansado. Não lhe escondo que os meus acordos com os outros partidos são frágeis. Há, sem dúvida, divergências bastante profundas, e por vezes é complicado divisar um único ponto de encontro. Mas, nas alturas mais difíceis, PS, PCP, BE e PEV lembram-se sempre da única questão na qual estão cem por cento de acordo: que V. Exa. é tragicamente incapaz. Ninguém nos tira essa sólida base de entendimento, sobre a qual pretendemos edificar lindas convergências;
b) Quanto à aprovação de orçamentos de Estado que ainda não são conhecidos, os três partidos comunicaramme que desejam tomar como inspiração o seu exemplo de aprovar cegamente orçamentos de Estado, inclusivamente inconstitucionais, mas de uma forma um pouco menos irresponsável. Dizem que gostavam de ler os documentos antes de os aprovarem, se V. Exa. não se importa. Por outro lado, ficamos à espera que se submeta à mesma obrigação, em nome da estabilidade: que aprovará sem questionar qualquer orçamento que lhe apresentarmos. Aquele que estamos a preparar contém uma alínea muito gira sobre a reforma do Presidente da República. Acreditamos que apreciará a poupança que ali propomos;
c) Acerca do cumprimento das regras de disciplina orçamental, estamos em condições de garantir o seguinte: o meu governo respeitará tanto os tratados europeus quanto o governo anterior respeitou a constituição. Sendo V. Exa. um admirador da governação de Passos Coelho, cremos que também apreciará a minha;
d) Em relação ao respeito pelo nosso compromisso com a NATO, e após conversa telefónica com o deputado Jerónimo de Sousa, posso dar-lhe a seguinte garantia: a consideração do PCP pela NATO é tão grande que os comunistas portugueses vão propor aos seus velhos camaradas do leste europeu a reactivação do Pacto de Varsóvia, só para que a NATO tenha o prazer de voltar a extingui-lo. Esta extinção do Pacto de Varsóvia pela NATO terá periodicidade semanal;
e) No que diz respeito ao papel do conselho permanente de concertação social, deixo-lhe outra promessa: o meu governo não tratará qualquer interlocutor como "força de bloqueio".
Esses tempos negros de falta de diálogo já passaram;
f) Por último, quero sossegar V. Exa. acerca das medidas que o meu governo vai tomar no sentido de garantir a estabilidade do sistema financeiro. São elas: impedir que qualquer amigo de V. Exa. funde ou administre bancos; propor um aditamento à Constituição que impeça V. Exa. de fazer considerações acerca dos bancos nos quais os portugueses podem ou não confiar.
Creio que estas garantias satisfarão V. Exa. Agora, e como dizia o outro, deixem-me trabalhar.
Atentamente,
António Costa

in: Visão (Ricardo Araújo Pereira)