Conseguiram! Destruíram a Escola Pública

Nelson Oliveira
É oficial – O Ensino Público de qualidade inquestionável está prestes a morrer.

A destruição da Escola Pública não pode ser imputada à crise, aos alunos, aos professores, à Troika ou a qualquer outro bode expiatório. Esta destruição tem um rosto bem visível – Crato, Passos Coelho, Portas e um Governo Maioritário PSD/CDS protegido por Cavaco Silva.

Um dos sonhos ideológicos da direita está prestes a ser concretizado.

A aprovação do novo Estatuto do Ensino Particular e Cooperativo foi “início do fim” de uma Escola que tinha sucesso porque agregava diferenças, mostrava desde cedo aos jovens o lado positivo da convivência entre diferentes tipos de pessoas, classes, realidades familiares, aptidões. Mostrava o lado do sucesso e do insucesso, da pobreza e da riqueza, mas acima de tudo prestava um elevado contributo à possibilidade da entreajuda em torno das diferenças individuais.

Após 05.06.2011, data das últimas legislativas, o Governo decidiu que uma das suas primeiras medidas seria aumentar a verba destinada às Escolas Privadas e diminuir nas Públicas. Os dados estavam lançados.

No Orçamento de Estado de 2014 existe um reforço de verbas para o Ensino Privado e um corte de 500 milhões no Público, quando na verdade até o próprio Tribunal de Contas desaconselha esta prática.

Por outro lado, introduzimos o conceito do Cheque Ensino. À primeira vista, tudo parece justo quando se atribui um valor equitativo por aluno e dá-se a oportunidade de escolha aos pais quanto ao estabelecimento de ensino. Mas será que uma Escola do Ensino Privado dará a mesma oportunidade a um aluno de um estrato social baixo ou que apresenta um historial de insucesso escolar/mau comportamento?

Obviamente que a iniciativa empresarial tentará escolher aqueles que poderão garantir melhores resultados e menos problemas, conduzindo a longo prazo, uma clara distinção entre o Ensino Público que ficará com os alunos problemáticos, ao passo que o Ensino Privado tenderá a aceitar apenas os melhores. Esta é a pura da realidade.

Tudo se torna mais estranho quando o Estado atribuir financiamentos sucessivos ao ensino privado (onde os pais pagam mensalidades!), ao passo que as escolas públicas perdem verbas e alunos. Nestes casos seria bom colocar a ideologia liberal em prática, não havendo necessidade do Estado ser o principal financiador de um sistema privado que ideologicamente tem aversão à iniciativa pública.

Mediante isto, o que pensará o Governo dos investimentos das autarquias na requalificação/construção de centros escolares, tão necessários junto das populações?

O que pensam aqueles que postulam a livre iniciativa do mercado, quando usam e abusam do Estado para financiar cronicamente as suas atividades?

Com o novo Guião do Estado, promove-se a privatização de tudo (educação, saúde, serviços), só é pena que na altura de pagar os erros desta gestão, a Divida seja Pública!

Razão tinha Saramago - “Cadernos de Lanzarote” (p. 148), quando explicava superiormente a ânsia das Privatizações!

O associativismo atual (TVS)

Nuno Fernandes
O associativismo em Portugal, nas mais diversas formas em que se manifesta, não é alheio à custosa situação em que o nosso país se encontra, fruto da conjuntura económico-financeira hostil, com impactos profundamente negativos a nível social. Estes movimentos de cidadania são, na maioria das vezes, o último reduto no combate à pobreza e exclusão social.

Porém, a atual conjuntura é também favorável à desmotivação e ao retrocesso na prática do associativismo, afastando-o da dinâmica e iniciativa de outras épocas.

Nos dias de hoje, está nas mãos dos movimentos associativos ou de cidadania formados por jovens a adaptação a uma época difícil, adotando práticas renovadas de intervenção, capazes de incluir e cativar as populações para os fins a que se destinam, sejam eles culturais, recreativos, desportivos ou sociais. 

Compete a nós, jovens, dar os passos necessários no sentido de um futuro melhor. Acredito que a participação cívica através do associativismo é fundamental para a construção desse futuro.

Acredito que pertencer, estar numa associação é pertencer e estar ao serviço de uma comunidade, é um enriquecimento pessoal e nunca uma perda de tempo e dinheiro.

Este novo desígnio exige-se. É tempo de nos deixarmos de lamentos ou de imputar a responsabilidade do insucesso pessoal ou de uma geração a outros. Há que agir e reagir, fazendo o nosso caminho e rodeando-nos dos melhores intervenientes para ajudar o povo.



Nuno Fernandes



JS Lousada

As decisões do TC afetam os juros da dívida? MENTIRA!



A estratégia governamental é especialista em promover o caos sensacionalista do medo. Agora referem que as decisões negativas do Tribunal Constitucional tem um forte impacto nos juros da dívida.

O gráfico demonstra a falsidade de tais declarações.

Deitar investimento ao lixo



O português Carlos Tavares, sendo vice-presidente da Nissan/Renault, fez um acordo com o Governo de Sócrates para a instalação de uma fábrica em Portugal. Vale a pena ouvir declarações suas feitas na altura (aqui e aqui). 

Entretanto, a pandilha da São Caetano alçou-se ao poder e Carlos Tavares aguardou meses e meses que o Álvaro e Passos lhe concedessem uma audiência. Cansado de esperar, foi à sua vida e, com ele, o investimento da Nissan. 

Hoje, foi anunciado que será, a partir de Janeiro, o presidente do grupo Peugeot/Citröen
No dia em que se falou tanto de patriotas, têm aqui um.

in: Câmara Corporativa

Zangam-se as comadres...

Desde há uma semana para cá, assistimos a uma série de revelações baseadas na tese de mestrado e entrevista de um dos principais assessores de comunicação do PSD de Passos Coelho, onde este expunha, preto no branco, a estratégia ignóbil montada por Relvas e companhia, para chegar ao poder, tendo como baluarte a luta electrónica de desinformação, e pior que isso, assassinato político e pessoal de algumas pessoas.

As peças começam a ligar-se e não foi inocente uma série de telefonemas que a TSF recebeu em altura de campanha eleitoral, para "elogiar Sócrates" a mando do PSD.

Fernando Moreira de Sá anuncia como se destruiu Sócrates, mas refere também como todo esse efeito criador do caos, fez ricochete batendo em cheio em Passos Coelho, Relvas e companhia.

Perfis falsos, calúnias, desinformação e muita imaginação. Chamadas falsas para as rádios, facebook e twitter. É curioso que este tipo de práticas teve vários seguidores ainda que muito pouco convincentes, facilmente identificados e por fim, gozados.


2013 – A vitória das Boas Contas

Nelson Oliveira
Com os resultados das últimas eleições autárquicas, o país assistiu à maior renovação da classe política desde 1974. Esta renovação deveu-se sobretudo ao cumprimento da proposta do Governo de José Sócrates, plasmada na Lei n.º 46/2005, de 29 de Agosto - Limitação de Mandatos Autárquicos.

Um pouco por todo o país, mas em particular no distrito do Porto, houve uma nítida renovação de atores políticos que não se ficou pela simples limitação de mandatos (completamente usurpada pela candidatura de Luís Filipe Menezes), mas sim, pela vitória das Boas Contas.

É um facto, por diversas vezes estudado (Gomes, P. 2013) que existe uma predisposição para a reeleição de autarcas que, no fim do mandato, optam por aumentar o investimento e consequente dívida municipal. No entanto, estas últimas eleições contribuíram para a não verificação deste autêntico dogma.

Um pouco por todo o distrito e apenas com algumas exceções, os eleitores optaram por reconduzir autarcas/partidos que pugnaram pelo rigor financeiro, sem hipotecar o futuro do concelho (ex. Lousada, Baião) e castigaram aqueles que tinham seguido uma trajetória despesista e por vezes quase criminosa para as contas públicas (ex. Paços de Ferreira, Vila Nova de Gaia).

No distrito, realça-se o exemplo dado pelos eleitores de Gaia que recusaram o sucessor partidário de Menezes que, concorrendo ao Porto, foi completamente sucumbido devido ao tipo de gestão autárquica deficitária que sempre representou.

Nesta análise autárquica, basta observarmos os municípios que recorreram ao PAEL – Programa de Apoio à Economia Local ou os Prazos Médios de Pagamentos a Fornecedores (DGAL) para verificarmos que algo não ia bem em algumas autarquias da região, fosse qual fosse a liderança partidária.

A necessidade da famigerada Lei dos Compromissos era de todo evitável se as autárquicas cumprissem com o que está literalmente estipulado no POCAL, sem se recorrer a estratagemas financeiros como o empolamento conveniente da receita para justificar a despesa. É impressionante como em certos orçamentos municipais, o executivo “pretendia vender todo o concelho num único ano” só para justificar as suas despesas, originando consequentemente uma divida astronómica perfeitamente legal.

Numa altura em que a classe política está descredibilizada, cabe mais uma vez aos autarcas, apesar de serem o parente pobre da política nacional, darem o verdadeiro exemplo de seriedade, clarividência e rumo ao país. Esta foi a vitória das boas contas – que assim seja no futuro porque é altura dos atuais detentores de cargos políticos autárquicos mostrarem, principalmente ao Governo, como se gere a Res publica.


Isto é a Juventude Socialista - Justiça e Equidade

JS importa o "Gato Gordo" da Suíça

A Juventude Socialista apela a que os partidos com assento parlamentar partam para o debate sobre a limitação salarial dos gestores sem dogmatismos.

O secretário-geral da JS, João Torres, anunciou ao PÚBLICO que a estrutura que dirige prepara um projecto de resolução na Assembleia da República relativo à limitação proporcional de salários dos gestores e administradores das empresas, públicas ou privadas, em relação aos salários mais baixos praticados nessas empresas.

A iniciativa “Gato Gordo” apresentada pelo Partido dos Jovens Socialistas Suíço e que vai a referendo popular já no próximo domingo chega assim a Portugal, “entre o final deste ano e o início do próximo”, pela mão da Juventude Socialista portuguesa, sob o título Salários Justos.

“Esta iniciativa decorre de uma preocupação crescente por parte da JS para com o agravamento das desigualdades sociais, muito em particular das desigualdades salariais que temos vindo a verificar no nosso país”, explicou João Torres.

Através desta proposta a JS pretende lançar um debate público acerca da autodeterminação salarial praticada pelos gestores e administradores das empresas, assim como “introduzir na nossa economia alguns critérios de justiça através do estabelecimento de um rácio humano, que seja um rácio social no sentido de não se desvalorizar e não se valorizar excessivamente o trabalho de alguns cidadãos em detrimento do trabalho de outros”.

A proposta dos jovens socialistas tem por base, não só o exemplo suíço, onde a população vai ser consultada em relação a uma iniciativa que pretende decidir se um gestor de topo deve ganhar, como tecto máximo, 12 vezes mais do que o salário mais baixo pago pela empresa, mas também o exemplo francês que já define que um gestor de uma empresa pública só pode ganhar 20 vezes mais do que o trabalhador mais mal pago.

De acordo com João Torres, a JS não parte para esta proposta “com base num rácio concreto”, embora admita que, não sendo ainda o ideal para dignificar a mão de obra, “deve haver uma convergência no sentido de existir uma frente comum das Juventudes Socialistas no espaço da UE, no sentido de que essa limitação proporcional seja de 1 para 20”.

A JS acredita que o PS pode acolher a iniciativa e incluí-la no seu programa e ideário político e pede aos restantes partidos com assento parlamentar que partam para esta discussão “sem qualquer tipo de dogmatismo” e com uma obrigação moral de combater “uma economia selvagem” e estabelecer em Portugal uma “economia de mercado social”.

Campanhas ao negro



Gaspar fazia reuniões em off com jornalistas para dizerem em conjunto mal do Executivo anterior e cantarem loas à austeridade. Passos foi eleito na campanha interna do partido graças a um punhado de bloggers "especializados em desinformação" coordenados por Relvas, que também orquestrou a das legislativas; não teve estado de graça porque mal ganhou compensou todos (menos um?) com sinecuras, destruindo "a rede".

A primeira revelação é de André Macedo na sua coluna de ontem no DN, close-up de um ministro pintado pelos media como "um técnico puro" que afinal se desvendava em 2011, mal pegou ao serviço, como propagandista politiqueiro. A segunda efabulação é de um consultor de comunicação entrevistado pela Visão a propósito de uma alegada tese sobre "a importância da comunicação política digital na ascensão de Passos" e que assume a existência de campanhas negras contra o Governo Sócrates, com criação de "perfis falsos" no Facebook e no Twitter: "Se deixarmos uma informação sobre o caso Freeport num perfil falso e ele for sendo partilhado, daqui a pouco já estão pessoas reais a fazer daquilo uma coisa do outro mundo."

Estes dois vislumbres sobre a génese e a natureza do Governo Passos têm, até pela credibilidade muito distinta dos emissores, valores diferentes. Do que o André conta anota--se não que um político quis trazer a si os media - qual o espanto? -, mas que os jornalistas lhe saltaram para o colo, entusiasmadíssimos com as "ideias" da troika/Gaspar. Daquilo que o consultor de comunicação diz, entre infrene autopromoção, falsidades e absurdos (como garantir que em 2009 os blogues políticos tinham 30 mil visitas/dia e que a net foi fundamental para as vitórias), ressalta a ironia de certificar que os apoiantes do atual PM, incluindo "jornalistas no ativo" que, aliás, nomeia, fizeram tudo aquilo que imputavam furiosamente aos do Governo PS. Vai ao ponto de asseverar que a sua "equipa de voluntários" tomou como modelo de atuação o blogue Câmara Corporativa, que acusavam (emulando Pacheco Pereira, autor da teoria) de ser feito e pago a partir do gabinete de Sócrates, "usando informação privilegiada sobre pessoas": "Não éramos anjinhos, sabíamos bem ao que íamos", diz, gabando-se de que o seu "grupo" recebia "filet mignon informativo" do PSD de Passos através de "um mail fechado".

Mas a ironia não fica por aqui. Ao mesmo tempo que clama ter participado em campanhas ínvias e negras para manipular os media e a opinião pública, o entrevistado da Visão repete a acusação de que o gabinete do anterior PM fornecia "informação privilegiada sobre pessoas" ao tal blogue, sem que a revista exija dessa gravíssima alegação qualquer prova ou sequer exemplo. Às tantas, o tipo é mesmo, como pretende convencer (ou recordar?), muito bom no que faz. Ou temos de concluir que, como afiança, vivemos num "caldinho jeitoso para isto."

Fernanda Câncio (DN)

Mais um perigoso Esquerdista contra a Escola Privada

John Major diz que domínio da elite educada em escolas privadas é “verdadeiramente chocante”



John Major considera “verdadeiramente chocante” o domínio que a elite educada em escolas privadas e de classe média alta detém sobre os lugares mais altos da esfera pública britânica.

O político conservador, que sucedeu a Margaret Thatcher na liderança do governo, afirmou, na passada sexta-feira, durante o jantar anual da Associação Conservadora de South Norfolk, que “todas as esferas de influência britânicas” são dominadas por homens e mulheres que frequentaram escolas privadas ou que vêm de uma classe média alta privilegiada. “Tendo em conta as minhas próprias origens, acho isso verdadeiramente chocante”, disse, acrescentando que o sistema educativo devia ajudar as pessoas a libertarem-se das circunstâncias em que nasceram, em vez de fechá-las nelas.

De acordo com o jornal “The Telegraph”, apesar de no seu discurso Major ter atribuído aquilo que designou de “colapso da mobilidade social” ao Partido Trabalhista, liderado por Ed Miliband, as suas declarações foram antes entendidas como uma crítica ao actual primeiro-ministro, e colega de partido, David Cameron, cujostaff (além dele próprio) encaixa no perfil descrito pelo antigo chefe de governo.

in: Jornal i

Algo de muito grave deve estar para acontecer no Universo

César das Neves elogia a qualidade da investigação e da reflexão de Sócrates



Foi lançado recentemente, podemos dizer com honras de Estado, o livro de José Sócrates A Confiança no Mundo; Sobre a Tortura em Democracia (Verbo, 2013). O volume, resultado de um trabalho académico, trata um tema importante e perturbador, que tomou grande actualidade com a recente luta americana contra o terrorismo. Este caso, verificando-se num ambiente de Estado de direito livre e democrático, traz também ao tema o contorno particular que justifica o interesse adicional do texto.

Entre os vários elementos aduzidos, o autor não se exime ao aspecto mais espinhoso e complexo, a filosofia moral. Na situação de tortura confrontam-se dois direitos, o do preso e o da sociedade que ele pretende agredir. É fácil surgir a escolha entre a dignidade básica do terrorista, agredida pelas sevícias, e as vidas a salvar pela informação que ele guarda. Aqui os dilemas facilmente se tornam, eles mesmos, torturadores, de tão complexos.

O autor toma uma posição clara e categórica sobre este problema espinhoso, "esclarecendo que me filio, neste domínio, na perspectiva deontológica de proibição absoluta de tortura" (p. 104). Aliás, assume mesmo uma excepção à sua posição pessoal de fundo pois, como explica numa entrevista de divulgação do livro: "Nunca fui um deontologista, nunca me filiei nas correntes morais dos que acham que têm imperativos categóricos e uma ética da convicção... Sempre me filiei nas correntes do consequencialismo e do utilitarismo... Aqui, entro em divergência. Porque me tornei um deontologista num único ponto, um ponto que une várias gerações de filósofos... Qual é o ponto? A vida humana é única, singular e insubstituível" (Expresso Revista, 19/Out/2013, p. 29-30).

Esta afirmação é decisiva e, como se vê, marca uma evolução importante na trajectória do autor. Mas é impossível não aplicar o mesmo raciocínio, e toda a longa, detalhada e erudita elaboração que ele faz na parte II do volume, a um outro caso, precisamente aquele em que o Governo do primeiro-ministro José Sócrates foi mais decisivo sobre o futuro nacional, a liberalização do aborto pela Lei 16/2007 de 17 de Abril e a sua banalização pela Por-taria 741-A/2007 de 21/Junho. O paralelo é inevitável dado o argumento, repetido à exaustão por todos aqueles que se opunham à posição do Governo de então, ser exactamente aquele que agora José Sócrates apresenta como o seu "imperativo categórico": a vida humana é única, singular e insubstituível.

Claro que podemos dizer que o caso do aborto é bastante diferente da questão da tortura. E de facto é. Mas existem não só paralelos inelutáveis, mas até detalhes que tornam a interrupção da gravidez ainda mais adequada aos argumentos usados por Sócrates na sua tese. Dadas as competências que ele revela no intrincado campo da filosofia moral, não seria digno descartar de forma ligeira estas implicações.

Como na tortura, temos o confronto de dois direitos, o do nascituro e o de sua mãe. No entanto, podemos dizer que os valores envolvidos são ainda mais extremos do que na situação analisada no livro. De facto os graves problemas que conduzem uma mulher a abortar, mesmo se pungentes, são muito menos graves do que os morticínios que a tortura pretende evitar. Por outro lado, a vítima do aborto não sofre apenas a dor extrema e a cruel indignidade, mas fica impedida de nascer e ver o sol, anulando-lhe na morte a mais ínfima partícula de identidade.

Certamente que, com a análise sofisticada que faz no seu volume, o autor não usará a escapatória indigna de dizer que o embrião ainda não é uma pessoa, omitindo-o assim dos seus princípios. Não só se trata indiscutivelmente de uma vida humana, mas esse argumento cai no rol das múltiplas negações da humanidade dos terroristas, que ele tão bem desarma na sua tese.

O autor ainda não se disponibilizou para esta discussão. Mas ao menos, no meio das lutas terríveis que nos dividem, devemos desfrutar deste raro momento de acordo, à volta de uma ideia tão básica e decisiva: a vida humana é única, singular e insubstituível.

naohaalmocosgratis@ucp.pt

Colaboração? Entendimento? Sim, claro!

Sempre que o Governo PSD/CDS pedir colaboração, entendimento, (etc), mostrem-lhes este vídeo.

É fartar, vilanagem!

O memorando da troika previa o fim dos subsídios aos colégios privados. O actual governo aumentou a dotação e prepara-se para o voltar a fazer no Orçamento do Estado para 2014. Lembram-se da campanha organizada dos colégios privados contra o PS nas eleições legislativas de 2009, que meteu aviões e tudo? 

Este programa da TVI (vídeo) parece levantar a ponta do véu.

In: Câmara Corporativa

Circunstâncias Diferentes (Vital Moreira)

O Presidente da República manifestou a sua esperança em que será possível um acordo entre os partidos do Governo e o PS para sufragar no ano que vem o "programa cautelar" pós-resgate com a União (se não houver outro resgate propriamente dito...), como sucedeu em 2011 com o próprio programa de assistência. Receio bem que Cavaco Silva se engane.

Primeiro, em 2011, o PSD e o CDS, que tinham derrubado o Governo e provocado o resgate com a rejeição do PEC IV, tinham obtido o que desejavam, ou seja, eleições antecipadas. O programa de ajustamento com a troika era um excelente álibi para violar depois todas as promessas eleitorais do PSD. Será que o PR está disponível para oferecer agora ao PS eleições antecipadas em troca do endosso do programa cautelar?

Em segundo lugar, ao longo destes dois anos o Governo renegociou com a troika numerosas alterações ao programa de ajustamento, sempre à margem do PS, sem que o PR tivesse alguma feito menção de lembrar ao Governo a conveniência de tentar envolver o PS nesse processo. Sabendo-se que essa deliberada desconsideração política facilitou o descomprometimento do PS em relação ao Memorando e a sua radicalização contra as medidas de austeridade, com que legitimidade e credibilidade é que o PR pensa agora poder convencer o PS a entrar num compromisso com o Governo? 

Se bem ajuízo, só depois das próximas eleições legislativas, quando quer que ocorram, é que se criarão condições para o compromisso político fundamental entre o PS e o PSD de que o País precisa. O PR não está isento de responsabilidades nesta situação...

in: Causa Nossa

Uma verdade inconveniente


O ódio a Sócrates

Quando comecei a minha coluna semanal no EXPRESSO, ainda Santana Lopes era primeiro-ministro e Sócrates o queria ser, o meu primeiro texto tinha como título "A coisa". Era sobre José Sócrates e o seu vazio ideológico e programático. Uma acusação, à altura, mais do que justa. Ao contrário de outros ex-primeiro-ministros, Sócrates fez-se ideologicamente no poder. Com várias guinadas ao longo de seis anos. Não apenas guinadas tácticas, bastante comuns em muitos políticos. Mas guinadas sinceras de quem estava a aprender o mundo enquanto governava.

Durante seis anos fiz-lhe oposição. E não me arrependo. Também o apoiei em várias medidas, como é evidente. Mas, acima de tudo, tratei sempre com cuidado os casos menos políticos em que o seu nome foi sendo envolvido. Na realidade, o mesmíssimo cuidado que tenho com todos os casos que surgiram com pessoas deste governo: não os deixo de tratar, exponho os factos conhecidos e retiro conclusões políticas. Com Sócrates, nuns casos fiquei esclarecido, noutros mantenho dúvidas. Numa análise a todas as acusações que lhe tinham sido feitas conclui, em fevereiro de 2010: "No meio desta histeria, que torna o debate político insuportável - é já quase sinal de cedência escrever sobre qualquer outro assunto que não seja José Sócrates -, a falta de rigor e de apego à verdade de que o primeiro-ministro é acusado parece ter tomado conta do país inteiro. Interessa saber se José Sócrates fez o que se diz que ele fez. Mas, se não levarem a mal, a verdade dos factos pode, de vez enquanto, ter voto na matéria." Sobre esses casos, podem ler texto que aqui refiro. Chega e sobra. Não é com eles que quero perder tempo.

É normal que se investiguem primeiros-ministros e dificilmente me veem a comprar teses de cabalas e campanhas negras. Mas ninguém negará que nunca, sobre um governante, saíram tantas notícias de pequenos casos de forma tão insistente. Sobretudo não me lembro de terem sobrevivido tanto tempo a qualquer esclarecimento, bom ou mau. Compare-se o caso do Freeport - que durou anos - com o da Tecnoforma, que passou desapercebido a quase todos os portugueses. Acho que posso dizer com rigor, sem ter de tomar partido, que nunca um primeiro-ministro em Portugal foi tão atacado como José Sócrates. Nada escapou: da sua vida intima ao património da sua família, do seu percurso profissional e académico à forma como exerceu os seus cargos políticos anteriores. Até escutas ao primeiro-ministro a oposição de direita quis o país ouvisse, coisa que nunca alguém se atreveu a propor em qualquer outro caso. 
 
A verdade é esta: pequenos pormenores da vida de Sócrates ainda hoje vendem mais jornais do que venderia a biografia mais intima de Passos Coelho.

Porque gera tantos ódios José Sócrates? Os que o odeiam responderão com rapidez que faliu o país. Nessa não me apanham mesmo. Até porque a "narrativa" tem objetivos políticos e ideológicos que ultrapassam em muito a figura do ex-primeiro-ministro, o que revela até que ponto podem ser estúpidos os ódios pessoais de uma esquerda que, por mero oportunismo de momento, comprou uma tese que agora justifica todo o programa ideológico deste governo.

É pura e simplesmente falso que Sócrates tenha falido o país. E isto não é matéria de opinião. Sócrates faliu o país da mesma forma que todos os que eram primeiros-ministros entre 2008 e 2010 em países periféricos europeus o fizeram. Até 2008 todos os indicadores financeiros do Estado, a começar pela dívida pública, e todos os indicadores da economia seguiam a trajetória negativa que vinha desde a entrada de Portugal no euro (ou até desde o início da convergência com o marco, que lhe antecedeu), verdadeiro desastre económico que ajuda a explicar uma parte não negligenciável da situação em que estamos. A narrativa que esta crise se deve ao governo anterior, além de esbarrar com todos os factos (o truque tem sido o de juntar o aumento da dívida anterior e posterior a 2008 e assim esconder a verdadeira natureza dessa dívida), esbarra com a evidência do que se passa nos países que estavam em situação semelhante à nossa e não tiveram Sócrates como primeiro-ministro. Posso escrever tudo isto com uma enorme serenidade: fui opositor de Sócrates e sempre disse o que estou a dizer agora.

Também nada de fundamental, até 2008, distinguia, para o mal e para o bem, os governos de Sócrates dos anteriores. O que era diferente correspondia às pequenas diferenças entre os governos do PS e do PSD, que já poderiam ter sido detectadas em Guterres. O que era igual, conhecemos bem e podemos identificar em Barroso, Guterres ou Cavaco. Em todos eles houve decisões financeiras desastrosas - das PPP à integração de fundos de pensões privados na CGA, da venda ruinosa de ativos a maus investimentos públicos. Em todos eles houve interesses, tráficos de influências, mentiras, medidas demagógicas e eleitoralistas. Sócrates foi apenas mais um.

Há uma parte deste ódio que surgiu à posteriori (sim, vale a pena recordar que Sócrates venceu duas vezes as eleições). Perante a crise, o país precisava de encontrar um vilão da casa. Como escrevi, irritando até muitas pessoas de esquerda, em Outubro de 2010, ainda Sócrates era primeiro-ministro: "São sempre tão simples os dilemas nacionais: encontra-se um vilão, espera-se um salvador. Sócrates foi um péssimo primeiro-ministro? Seria o último a negá-lo. Mas, com estas opções europeias e a arquitetura do euro, um excelente governo apenas teria conseguido que estivéssemos um pouco menos mal. Só que discutir opções económicas e políticas dá demasiado trabalho. Discutir a Europa, que é 'lá fora', é enfadonho. É mais fácil reduzir a coisa a uma pessoa. Seria excelente que tudo se resumisse à inegável incompetência de Sócrates. Resolvia-se já amanhã." O único acerto a fazer é que, perante este governo, a avaliação de incompetências passou para um outro patamar.

Sócrates acabou por servir, nesta crise, para muitas cortinas de fumo. A de quem quis esconder as suas próprias responsabilidades passadas. A de quem queria impor uma agenda ideológica radical e tinha de vender uma "narrativa" que resumia a história portuguesa aos últimos 9 anos e esta crise a um debate sobre a dívida pública. E a de quem, sendo comentador, economista ou jornalista, e tendo fortes limitações na sua bagagem política, foi incapaz de compreender a complexidade desta crise e optou por uma linha um pouco mais básica: o tiro ao Sócrates. Não lhes retiro o direito ao asco. Eu tenho o mesmo pelo atual primeiro-ministro. Mas não faço confusões e já o escrevi várias vezes: Passos sai, Seguro entra e, se não houver um enfrentamento com a troika, fica tudo exatamente na mesma. Porque o problema não é exclusivamente português e, mantendo o país no atual quadro europeu, depende muito pouco do nosso governo.

Há outra explicação para o ódio que Sócrates provoca. As novas gerações da direita portuguesa são, depois de décadas na defensiva, de uma agressividade que Portugal ainda não conhecia. A que levou à decapitação da direção de Ferro Rodrigues, através do submundo da investigação criminal e do submundo do jornalismo, representado, desde sempre, pelo jornal "Correio da Manhã". A mesma que tratou de criar um cerco de suspeição que transformou, durante seis anos, a política nacional num debate quase exclusivamente em torno do carácter do primeiro-ministro. Um primeiro-ministro que, como tantos políticos em Portugal, se prestou facilmente a isso. Um cerco que fez com que poucos se dessem ao trabalho de perceber o que estava a acontecer na Europa desde 2008 e como isso viria a ser trágico para nós. Andávamos entretidos a discutir escutas e casos.

Foi esta direita que, irritada pela iminência de perder prematuramente o poder que tinha reconquistado há apenas três anos, espalhou o boato sobre a suposta homossexualidade de Sócrates. Pedro Santana Lopes veio, em reação à entrevista de Sócrates ao EXPRESSO, dizer que essa campanha vinha do PS. Tenho boa memória e recordo-me das indiretas no debate entre Santana e Sócrates, na SIC. Lembro-me também de Santana ter passado uma campanha a insistir para que Sócrates tomasse posição sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo, quando isso ainda nem era debate e sabendo-se o boato que corria. Lembro-me ainda de, num inédito mas muito conveniente comício de mulheres do PSD, em Famalicão, em plena campanha, uma ter dito isto: "Ele [Santana] ainda é do tempo em que os homens escolhiam as mulheres para suas companheiras... bem hajam os homens que amam as mulheres!" E de, entusiasmado, Santana Lopes ter rematado, em declarações aos jornalistas: "O outro candidato [Sócrates] tem outros colos, estes colos sabem bem".  
 
Todos sabem como Santana importou, através de um publicitário brasileiro, uma determinada forma de fazer política. Felizmente, como se viu pelo seu resultado, não funcionou.

Goste-se ou não do estilo, Sócrates é, muitas vezes, de uma violência verbal inabitual em Portugal. Ele é, como se definiu na entrevista a Clara Ferreira Alves, anguloso. E voltou a prová-lo, nesta conversa, de forma eloquente. 
 
Num País habituado a políticos redondos isso choca. Ainda mais quando se trata de um líder do centro-esquerda, por tradição cerimoniosa e pouco dotada de coragem política. Sócrates, pelo contrário, tem, e isso nunca alguém lhe negou, uma extraordinária capacidade de confronto e combate. O estilo público de Guterres, Sampaio, Ferro Rodrigues e Seguro (muito diferentes entre si em tudo o resto) é aquele com o qual a direita gosta de se confrontar. 
 
A aspereza de Sócrates deixa-a possuída, irritada, quase invejosa. A ele não podiam, como fizeram com Guterres, acusar de indecisão e excesso de diálogo. Sócrates acertou na mouche: ele é o líder que a direita gostaria de ter.

Também a maioria dos portugueses tende a gostar de um estilo autoritário, mas sonso, que nunca diz claramente ao que vem, de que Cavaco Silva é talvez o exemplo mais acabado. Diz-se, ou costumava dizer-se, que Cavaco é previsível. Mas ele não é previsível por ser fiel às suas convicções, que nós desconhecemos quais sejam. É previsível porque quer sempre corresponder ao arquétipo do político nacional: moderado, ajuizado, prudente, asceta e severo. Apesar de, na realidade, no seu percurso cívico e político pouco ou nada corresponder a estas características. Pelo contrário, Sócrates corresponde, na sua imagem pública, ao oposto de tudo isto.

Não é o primeiro político português a fugir ao modelo do líder austero e sacrificado, que Salazar impôs ao imaginário nacional e que Cunhal, Eanes, Cavaco ou Louçã acabaram por, mesmo que involuntariamente, reproduzir. Já Soares fugira desse estilo e se apresentara emotivo, imprevisível e bon vivant. O que mudou desde então? Tudo. A exposição pública, o escrutínio da imprensa, o poder de disseminação do boato. Ainda assim, arrisco-me a dizer que se há um político português vivo que consegue arrebatar mais paixões, sejam de amor ou de ódio, do que José Sócrates ele é Mário Soares. À sua direita e à sua esquerda.

Mas há uma enorme diferença entre Soares e Sócrates: o estatuto. Que resulta da idade, do currículo político e do tempo histórico em que foram relevantes. E, para tentar resumir, é esta diferença que ainda faz Sócrates correr. Acho que ele não se importa nada de ser odiado pela direita e por parte da esquerda. O que o incomoda é isso não corresponder a um papel histórico que, mal ou bem, lhe seja reconhecido. É não ter atingido um estatuto em que ser odiado por muitos não só é normal como recomendável. No fundo

, move-se pelo mesmo que todos os políticos que ambicionaram mais do que uma pequena carreira: o sonho da imortalidade. E essa é, entre outras, uma das razões porque não compro o retrato do pequeno bandido que enriqueceu com uns dinheiros dum outlet em Alcochete. Parece-me que a sua ambição é muito maior. Por isso, façamos-lhe justiça de acreditar que também serão maiores e mais nobres os seus pecados.
 
Daniel Oliveira

Eleições JS Lousada

Cara (o) Camarada,
No uso da competência que me é conferida pelo n.º 1 do Artigo 9.º do Regulamento Eleitoral Geral da Juventude Socialista, conjugada com o Artigo 92.º dos Estatutos da Juventude Socialista, convoco todos os militantes da Concelhia de LOUSADA, para uma Assembleia Concelhia Eleitoral, que terá lugar no dia 2 de NOVEMBRO de 2013 entre as 14 e as 18 horas no Edíficio Lousatur (Sede do PS Lousada) com a seguinte Ordem de Trabalhos:

1. Eleição dos órgãos da Concelhia da JS Lousada para o biénio 2013-2015.


Mais se informa que a Apresentação de Listas deverá ser feita até dia 25 de OUTUBRO entre as 21.30 e as 22.30h na sede do PS Lousada.
 


O Presidente da Mesa
João Correia

Um Parecer - Ricardo Araújo Pereira


Em 2015, ano das próximas eleições legislativas, muitos velhotes já não estarão cá para votar. Tem-se observado que uma coisa que os idosos fazem muito é falecer. Ora, gente defunta não penaliza o governo nas urnas


Caro sr. primeiro-ministro,

O conjunto de medidas que me enviou para apreciação parece-me extraordinário. Confiscar as pensões dos idosos é muito inteligente. Em 2015, ano das próximas eleições legislativas, muitos velhotes já não estarão cá para votar. Tem-se observado que uma coisa que os idosos fazem muito é falecer. É uma espécie de passatempo, competindo em popularidade com o dominó. E, se lhes cortarmos na pensão, essa tendência agrava-se bastante. Ora, gente defunta não penaliza o governo nas urnas. Essa tem sido uma vantagem da democracia bastante descurada por vários governos, mas não pelo seu. Por outro lado, mesmo que cheguem vivos às eleições, há uma probabilidade forte de os velhotes não se lembrarem de quem lhes cortou o dinheiro da reforma.

O grande problema das sociedades modernas são os velhos. Trabalham pouco e gastam demais. Entregam-se a um consumismo desenfreado, sobretudo no que toca a drogas. São compradas na farmácia, mas não deixam de ser drogas. A culpa é da medicina, que lhes prolonga a vida muito para além da data da reforma. Chegam a passar dois e três anos repimpados a desfrutar das suas pensões. A esperança de vida destrói a nossa esperança numa boa vida, uma vez que o dinheiro gasto em pensões poderia estar a se aplicado onde realmente interessa, como os swaps, as PPP e o BPN.

Se me permite, gostaria de acrescentar algumas ideias para ajudar a minimizar o efeito negativo dos velhos na sociedade portuguesa:

1. Aumento da idade da reforma para os 85 anos. Os contestatários do costume dirão que se trata de uma barbaridade, e que acrescentar 20 anos à idade da reforma é muito. Perguntem aos próprios velhos. Estão sempre a queixar-se de que a vida passa a correr e que vinte anos não são nada. É verdade: 20 anos não são nada. Respeitemos a opinião dos idosos, pois é neles que está a sabedoria.

2. Exportação de velhos. O velho português é típico e pitoresco. Bem promovido, pode ter grande aceitação lá fora, quer para fazer pequenos trabalhos, quer apenas para enfeitar um alpendre, ou um jardim.

3. Convencer a artista Joana Vasconcelos a assinar 2.500 velhos e pô-los em exposição no MoMA, em Nova Iorque.

Creio que são propostas valiosas para o melhoramento da sociedade portuguesa, mantendo o espírito humanista que tem norteado as suas políticas.

Cordialmente,

Nicolau Maquiavel

Ler mais: http://visao.sapo.pt/um-parecer=f753423#ixzz2hzqUuVjT

O maravilhoso novo ciclo

‘Novo ciclo? Os aposentados da função pública vão ter cortes superiores aos deste ano. 
Novo ciclo? Os reformados da Segurança Social vão manter a austeridade, os viúvos vão ter mais cortes a meio de 2014. 
Novo ciclo? Os futuros pensionistas são dizimados, sofrem todos os cortes, são os mais castigados de todos. 
Novo ciclo? Os funcionários públicos vão ter cortes salariais superiores, sobretudo os com menores rendimentos, e haverá um programa de rescisões. 
Novo ciclo? O desemprego continua elevado, os empregados suportarão o mesmo nível de fiscalidade. 
Novo ciclo? Sim, para as empresas e para os investidores, são os únicos que pagarão menos impostos. 
De resto o novo ciclo é igual ao velho.’
 
Pedro Santos Guerreiro

Os cornões de Machete


Há muito muito tempo, num país muito muito distante, um ministro ousou fazer, no Parlamento, um gesto muito muito pateta. O ultraje foi tal que pouco depois o ministro apresentava a demissão e o PM desculpas pelo ocorrido, enquanto o presidente da Assembleia da República, do partido do Governo, assegurava, cenho franzido: "Aquilo que se passou não se podia ter passado." Garante do funcionamento regular das instituições e farol moral da nação, o então PR pontificava: "Pouco acrescentaria em relação à indignação que foi manifestada na AR por parte de todos os grupos parlamentares e por parte do senhor presidente da AR, o que de alguma forma reflete a gravidade daquilo que aconteceu."

Felizmente, o tal Governo foi, dois anos após o horrífico momento, substituído, sendo instituída uma nova ordem ética. Nesta, nunca há motivo para pedir desculpa, quanto mais para demissão (quem porventura se demita fá-lo por ética a mais: não aguenta "a podridão"). 
 
Por exemplo, se um ministro dá uma entrevista à rádio oficial de outro país em que aceita falar sobre processos judiciais "contra altas figuras do Estado" desse país, garantindo consistirem esses processos (que, adverte, pesaroso, "não está na nossa mão evitar" e pelos quais "pedimos diplomaticamente desculpa"), em "um problema puramente técnico de preenchimento de alguns documentos" que, explica, é preciso preencher quando há movimentação de capitais - "lícitas", apressa-se a frisar -, "nada de grave" há a assinalar, segundo o PM, ou que leve o atual PR dar nota de qualquer indignação. Nem o facto de os processos em causa estarem em segredo de justiça e o ministro se aprestar a revelar aquilo em que consistem (cometendo o crime de violação do segredo de justiça, se o que diz é verdade, ou mentindo, se não é) e em garantir que não têm "nenhum grau de gravidade". Tão-pouco que o ministro assevere terem sido "pedidas" "informações" à PGR para "perceber o que é que aconteceu do lado do nosso Ministério Público", as quais "a senhora procuradora-geral deu", enquanto a procuradora garante nada lhe ter sido pedido e nada ter dito, chamando, portanto, mentiroso ao ministro (ou o ministro a ela, é escolher) - que por sua vez nega o pedido e o que disse.
Não; grave, de ir às lágrimas, é o "assassinato político" de que o pobre ministro se queixou no Parlamento. Grave é, nas imortais palavras do deputado Rodrigues do PSD, chamar mentira a "uma inverdade" (que antes fora "incorreção factual"). Grave é fazer corninhos. Cornões mesmo chifrudos, dos que humilham o País e a democracia, arrastam a justiça na lama e fazem da separação de poderes uma piada, oh, isso?, é "uma expressão menos feliz".

Ocorre, porém, um quesito: se os processos que o ministro mandou arquivar por entrevista forem mesmo arquivados, como fica a cara da PGR? E se avançarem para acusação, como fica a do Governo e a relação com Angola? Os cornos chegam para todos.

Fernanda Câncio (DN)

Ma(n)chete



Passos, segurado por Cavaco, segura Machete, que se segura a Passos que se segura a Cavaco. Uma pescadinha de rabo-na-boca. Ou um cante alentejano, o grupo de cantares de de São Caetano à Lapa. Ombros com ombros, todos muito juntinhos, num balancear lento e compassado, monótono mesmo. O ponto dá a deixa, cede lugar ao alto, entrando logo de seguida o coro em que participam também o ponto e o alto. Terminada a estrofe o ponto dá novamente a deixa e o ciclo repete-se as vezes que os intervenientes o desejarem. Todos muito afinadinhos. Todo, bem… excepto Portas, o falsete, um corpo estranho que não cabe na estrutura, com timbre diferente e ressonância conforme o instrumento que lhe calha em sorte.



[Imagem de autor desconhecido]
 
Der Terrorist

País sequestrado

Tenho vergonha de no meu País se comemorar a data do regime dentro de uma sala onde o seu poder eleito em democracia se esconde de portadas fechadas.

Tenho vergonha de no meu País democrático ver o seu máximo representante fugir dos espaços fechados onde faz discursos que ignoram o sofrimento do povo, para o refúgio da viatura que o conduz a novo bunker.

Tenho vergonha de no meu País democrático os votos estarem sequestrados e quem os sequestrou nem sequer ter coragem de encarar os seus verdadeiros detentores.

Tenho vergonha de no meu País o executivo eleito democraticamente não respeitar a Lei Fundamental pela qual foi eleito, nem os preceitos básicos de separação de poderes nela determinados.

Tenho vergonha de no meu País os poderes eleitos não fazerem valer a nossa condição de Nação valente e imortal.

Tenho esperança que no meu País seja eleito como seu máximo representante quem, no dia de comemoração do regime vigente, teve a coragem de pronunciar o discurso que se impunha, neste momento, a um Chefe de Estado.


LNT